Expandindo experiências visuais

Bruna Bites | | filosofando

Um dos nossos objetivos é abrir um espaço para discussão com contribuição de amigos e parceiros que possuem conhecimento na área mobile ou correlatas.

Nosso primeiro a topar foi Guilherme Tosetto: fotógrafo, mestre em arte multimídia, que se interessa pelos usos da fotografia nas várias áreas do conhecimento humano e também por todo tipo de aparato fotográfico. Atualmente vive em Lisboa onde desenvolve doutorado sobre acervos fotográficos de museus e usa o restante do tempo para testar todos aplicativos de captação e edição de imagem que encontra por aí.

Que nossas mediações sociais se dão cada vez mais por meio de telas e aplicativos já não é novidade. Há alguns que criticam a substituição das relações físicas pelas virtuais, mas há muito mais pessoas que estão cada vez mais apegadas aos seu gadgets e apps para compartilhar informações, fotos e vídeos nas milhares de telas e janelas disponíveis por aí.
O que vale a pena pensar daqui para frente é como estas práticas sociais e culturais vão se expandir em um futuro post-screen (pós-tela), perceber as tendências e entrar nesta onda, antes que fiquemos para trás.
Alguns conceitos são essenciais para compreender o que estamos vivendo e o que vem por aí:

– estamos em um momento de convergência de mídias, todo o aparato comunicacional está em nossas mãos, somos chamados para a interatividade o tempo todo e, principalmente, somos desafiados a agir sobre estes conteúdos que circulam em rede ao nosso redor;

– a diferença entre trabalho e lazer se tornou irrelevante, não há mais barreiras. Estamos constantemente administrando telas nos mais diferentes níveis, seja respondendo ou deletando mensagens, enviando fotos ou postando algum link em nossas redes sociais;

– os aplicativos alargam nossas experiências culturais e expandem nossa acessibilidade a conteúdos visuais até então inacessíveis. Podemos testar novas maneiras de fotografar por meio de apps com centenas de filtros que vão além daquilo que vemos com nossos próprios olhos, criando distorções, simulando equipamentos vintage, entre outras possibilidades – e até de filmar, por exemplo, vídeos acelerados ou em slow motion;

Sobre esta expansão da experiência visual e cultural pela acessibilidade de novos conteúdos, o Museu de Arte Moderna de São Paulo serve como um belo exemplo. O MAM criou dois aplicativos: um deles é o MAM Quebra-Cabeça, um jogo em que o usuário pode montar quebra-cabeças a partir de 51 obras selecionadas do acervo, podendo escolher qual obra lhe atrai mais, define o nível de dificuldade e ainda pode compartilhar o desafio com outros usuários. O outro aplicativo é o MAM Coleção, desenvolvido a partir do Google Open Gallery, disponível apenas para Android. Com este aplicativo o usuário pode conhecer parte do acervo, selecionando obras a partir de exposições recentes realizadas no próprio Museu, e ir além. Ao selecionar uma obra, sua imagem pode ser ampliada com a ferramenta do zoom, permitindo alcançar detalhes que não poderiam ser vistos em uma exposição convencional a olho nu, por questões de montagem e até de segurança da obra.

A partir de exemplos como estes podemos pensar outras formas de explorar conceitos, como a convergência, visualidade e acessibilidade permitida pelos aplicativos no campo da cultura. As ferramentas e o contexto estão dados, basta pensar e construir.


Para saber mais do Guilherme, acesse:

Instagram: instagram.com/guitosetto
Linkedin: pt.linkedin.com/pub/guilherme-tosetto/83/b07/56b/
Twitter: twitter.com/guitosetto