Está apaixonado pelo seu app? Cuidado, isso pode ser perigoso.

Soraya Lopes | | filosofando

Há alguns anos que trabalhamos com empreendedores e Startups, e podemos dizer que todos com quem já trabalhamos ou conversamos tem algo em comum: pretendem fazer um produto do qual se orgulham e que possa resolver problemas reais das pessoas ou empresas.
Apesar de ser apaixonante, é preciso ter bastante cuidado: às vezes, muitos ficam cegos por sua própria convicção, sem conseguir ver os pontos falhos de seu produto. E acredito, isto acontece muito mais do que se imagina.
Pensando nisso, listamos as coisas mais comuns que vemos no dia a dia, e como evitá-los:

  • Não perceber que seu produto precisa de marketing: como todo produto, para se alcançar um bom resultado, é preciso ter um bom marketing. Por mais maravilhoso e promissor que seja seu app, ele precisa de uma sólida estratégia de divulgação e comunicação. Quem morre de amores pela sua criação, tende a acreditar que a demanda será orgânica e não é preciso investir em divulgação. Está aí um erro fatal!
  • Não saber reter seu usuário: qualquer negócio depende da fidelidade de seus clientes, não tem como fugir disso. Muito estudos mostram que quase 80% dos usuários abandonam seus aplicativos recém-baixados nos primeiros 3 dias. Sabe o motivo? Simples: os usuários não entendem o valor e a funcionalidade do produto. É importante lembrar que o usuário nunca tem culpa, isto acontece porque o aplicativo foi mal planejado ou construído. Bom, quem está apaixonado, em geral, vê seu valor claramente e nem imagina que outras pessoas não iriam entender. Basta perguntar para um apaixonado para que serve o produto e lá vem uma explicação enorme, elaboradíssima, cheia de motivos para usar sempre. Se o fim não cabe em mínimas palavras, será abandonado em 3 dias.
  • Não se adaptar às mudanças: uma coisa que é preciso saber nessa vida digital é que tudo está em constante transformação. Isto se aplica sobretudo aos produtos mobile, pois tanto as lojas, quanto os sistemas operacionais dos aparelhos se atualizam, ao menos, uma vez por ano, sem contar o mercado que é sedento e acostumado com novidades e tendências. Sendo assim, dê importância a cada parte da criação e monitore tudo o que puder para fazer constantes ajustes. Por isso, assumir que um app é completo ou perfeito é umas das coisas mais perigosas de se fazer.

Acreditar no seu negócio e se manter motivado para criar, construir e crescer é uma coisa maravilhosa e ajuda a ultrapassar obstáculos. Mas existe uma linha tênue entre ter fé em seu produto e pensar que ele é perfeito. Tente ter por perto sempre um “advogado do diabo” para levantar algumas perguntas (que podem até ser dolorosas, mas fundamentais).
Lembre-se seu aplicativo pode ajudar os usuários a resolverem problemas, mas isso não significa que você sabe o que passa pela mente do usuário. Obter uma perspectiva diferente e abraçar a necessidade de mudança pode ser o que falta para seu app.